Charles Darwin
Factos-chave
- Voyage à bord du HMS Beagle (1831-1836) : observations aux Galápagos sur la variation des espèces
- Publie «De l'Origine des espèces» en 1859 : théorie de la sélection naturelle
- Publie «La Descendance de l'Homme» en 1871 : l'humain issu d'une évolution commune avec les grands singes
- Sa théorie provoque un débat mondial avec les institutions religieuses (débat Oxford, 1860)
- Inhumé à l'abbaye de Westminster aux côtés de Newton (1882)
- Son oeuvre fonde la biologie moderne : base de la génétique, de l'écologie et de la paléontologie
Biografia
Charles Darwin nasceu a 12 de fevereiro de 1809 em Shrewsbury, no Shropshire, numa família abastada de espíritos livres. O seu avô Erasmus Darwin já tinha esboçado ideias evolucionistas. Após estudos de medicina em Edimburgo — que abandonou rapidamente, pois as operações sem anestesia o horrorizavam —, matriculou-se em Cambridge para se preparar para o ministério anglicano. Mas foi sobretudo a sua paixão pela geologia, pela botânica e pela caça de insetos que floresceu ali, sob a influência do botânico John Stevens Henslow, que lhe aconselhou embarcar como naturalista a bordo do HMS Beagle.
A viagem do Beagle (1831-1836) iria mudar o curso da ciência. Darwin circum-navegou o globo, observando a fauna e a flora na América do Sul, nas ilhas Galápagos, na Austrália e no Pacífico. Nas Galápagos, notou que os tentilhões variavam de ilha para ilha segundo os recursos alimentares disponíveis. Estas observações, confrontadas com os fósseis que recolhia, levaram-no gradualmente a suspeitar que as espécies não eram fixas, mas se transformavam lentamente ao longo das gerações.
De regresso a Inglaterra, Darwin dedicou mais de vinte anos a aperfeiçoar a sua teoria, receando a reação do meio científico e religioso. Acumulou dados sobre a variação das espécies domésticas, a criação seletiva e a geologia dos recifes de coral. Em 1859, pressionado pela iminente publicação de uma teoria semelhante por Alfred Russel Wallace, publicou "A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural". Este livro, que se esgotou no dia da sua publicação, explica que os indivíduos melhor adaptados ao seu ambiente sobrevivem e reproduzem-se mais, transmitindo as suas características vantajosas à descendência.
A publicação de "A Descendência do Homem" em 1871 levou a demonstração mais longe: o próprio ser humano era resultado de uma longa evolução a partir de ancestrais comuns com os grandes primatas. A oposição religiosa foi intensa, simbolizada pelo célebre debate da Oxford Union em 1860 entre Thomas Huxley, defensor de Darwin, e o bispo Wilberforce. Contudo, a comunidade científica adotou a teoria evolucionista com uma rapidez notável, à medida que as provas se acumulavam.
Charles Darwin morreu a 19 de abril de 1882 em Downe, no Kent. Foi sepultado na Abadia de Westminster, junto de Isaac Newton — homenagem da nação britânica a um dos seus maiores espíritos. A sua obra fundou a biologia moderna e permanece, após mais de século e meio, o pilar sobre o qual assentam a ecologia, a genética, a paleontologia e a medicina evolutiva.